quarta-feira, 10 de setembro de 2008

Palavras soltas...

Lá dentro, através dos vidros, olhavam-nos corpos sem almas. As duas mãos apoiadas na cara pareciam que seguravam os olhos já cansados, sem vida. A certa altura colocavam a mão pálida do outro lado do vidro querendo fazer um puzzle com a nossa, esperando que os agarremos e querendo que sejamos o sonho porque eles tanto anseiam. Fixam o olhar connosco como se quisessem tirar aos nossos olhos a cor que os deles já perderam. Lá dentro, não somos sentidos logo. Lá fora, os mesmos olhos que nos fixavam procuram agora o corpo que pensam ter fugido. Quando nos sentem, querem abraçar-nos, falam-nos com palavras sumidas, baralhadas. Inventam histórias que nem eles sabem a que livros foram buscar. Passam por nós. Se fechasse os olhos, era capaz de pensar incrédula que aqueles corpos seriam de outro mundo. Mas não são…

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